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riscos_e_rabiscos

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Ajudar os outros...

AGRADEÇO QUE DEPOIS DE LEREM ESTE POST ACERCA DE SITUAÇÕES PASSADAS HÁ IMENSO TEMPO, NÃO ME DEIXEM COMENTÁRIOS A PEDIR DINHEIRO. TRABALHO A RECIBOS VERDES E GANHO 150 EUROS POR MÊS. PRECISO DE DIZER MAIS ALGUMA COISA?

Todos nós em determinadas alturas da nossa vida precisamos (precisámos ou vamos precisar) da ajuda de alguém. Seja de que maneira for, é uma verdade. Uma ajuda maior ou mais pequena mas haverá sempre alguém que nos irá dar a mão.

 

Quando eu era miuda, tinha uma amiga cujo agregado familiar era grande e era só o pai a trabalhar para dar de comer áquela gente toda. A minha mãe tinha muita pena das miúdas (eram quatro de idades diferentes) e estava sempre a dizer-lhe para almoçarem aqui comigo. Um dia uma, outro dia outra e assim lá lhes ia matando a fome. Havia uma que adorava a feijoada da minha mãe e sempre que a minha mãe fazia, ela vinha sempre cá almoçar, não falhava. E quem diz comida, dia muitas outras coisas. A minha mãe sempre teve este enorme coração, sempre gostou de ajudar os outros (muitas vezes em detrimento de si própria) de fazer o bem sem olhar a quem.

 

Todas nós crescemos e seguimos com as nossas vidas. Duas delas conseguiram casar com maridos ricos e a nível monetário estão muito bem na vida. As outras duas digamos que estão bem melhor do que eu. Têm vidas organizadas e desafogadas monetariamente. O único probelma que lhes é comum é a "Memória Curta". Quando vinham visitar os pais, eram incapazes de tocar à porta ou chamar à janela para dizer olá ou saber como nós estávamos.

 

Passados uns anos, uma amiga minha viu-se em apuros e eu dei-lhe a mão. Ela era uma brasileira casada com um português. No Brasil, tinham uma boa vida, eram donos de um restaurante-bar e tinham uma vida organizada. Um dia a tragédia bateu-lhes à porta: um incêndio consumiu-lhes a casa onde tinham a casa e o restaurante. Ficaram sem nada, com um bebé de poucos meses nos braçoes e pão com manteiga e café que os vizinhos lhe davam para comer. Com a ajuda da família, vieram para cá. 

 

Como a família já os tinha ajudado muito, vieram falar comigo. Precisavam de dinheiro para comprar alguma mobília para a casa que tinham alugado para deixarem a casa da família onde estavam a viver. Na altura, eu tinha um bom ordenado e não tinha responsabilidades, e pude emprestar.lhes o dinheiro. Ajudei-os muito de outras formas: roupa e comida para o bebé e para ela e muitas outras pequenas coisas. Depois de contas acertadas e como agradecimento pela ajuda e amizade, fui madrinha do seu segundo filho.

 

Até que esta amiga começou a mostrar um comportamento bipolar. Começou a fazer comentários desagradáveis e ofensivos contra a minha pessoa, a cobrar certas e determinadas coisas que ela "achava" que eu devia pensar e fazer. Eu que sempre fui meio rebelde quanto áquilo que os outros acham que eu devo pensar e fazer, que sou muito sensível com as injustiças e não me achando merecedora de tais atitudes, calei-me e afastei-me. A consequência? Perdi o contacto com o meu afilhado. Lamento-o profundamente mas se o pai quisesse que houvesse contacto trazia-o aqui a casa uma vez que estão sempre a visitar a irmã que mora na rua de baixo e, ao longo destes anos, foi incapaz de me vir mostrar o menino. e o erro não foi meu, foi dela, e o marido sabe disso.

 

Em suma, as acções ficam para quem as pratica, assim como o peso na consciência. Não desejo mal a ninguém, mesmo até a quem me fez já muito mal. Eu sempre fiz o que achei que devia fazer, sem cobrar e nem esperar nada em troca. Esta sou eu, a Pepper que vocês conhecem...